Rubrica - O Corpo de Deus em Penafiel- nº6

Os Bailes das Festas do Corpo de Deus de Penafiel

Sendo a Procissão do Corpo de Deus em Penafiel bem antiga e mui rica de tradição, quando e como teriam aparecido a incorporar-se nessa solenidade pública e religiosa os tão curiosos e caracteristicos bailes ou danças? Pelo livro do tombo das festas do Corpo de Deus de 1657 (com abertura datada de 27 de Abril desse ano), e tendo também em conta que a confraria do Santíssimo Sacramento de Penafiel foi instituída em 13 de Julho de 1540, fica-se a saber que estes solenes festejos se realizavam- por imemorial costume-,nesta velha terra de Arrifana de Sousa, pelo menos a partir de meados do Século XVI. Mas quase de certeza que eram bem mais antigos.
Ora, no referido livro do tombo, consta que, além de toda a população religiosa, eram em particular obrigados a contribuir para a realização das festas do Corpo de Deus todos os indivíduos que, pelos seus ofícios ou mesteres, se encontravam integrados (ou se poderiam vir a integrar) nas antigas corporações medievais. A sua contribuição, para além do aspecto monetário, consistia essencialmente na obrigação de apresentar uma dança ou baile que representasse a actividade artesanal da referida corporação, ou mesmo outra qualquer dança que lhe viesse imposta conforme deliberação exarada no respectivo livro do tombo das festas.
A esta obrigação ninguém se podia esquivar, pois assim estava determinado legalmente, como se infere da seguinte passagem constante da página 2 do mesmo tombo: "não se poderia negar nenhuma pessoa que tivesse préstimo para ela..., com pena de dois mil reis pagos da cadeia e os que não dançarem pagarão 40 reis cada um que o juiz da dita dança cubrará, por assim cobrir ao serviço de Deus, e sua exaltação, e sua majestade que Deus guarde".
Sabe-se que foram vários os Bailes  ou danças que costumeiramente se integravam na procissão do Corpo de Deus. Na autorizada opinião de Abilio Miranda, essas danças, que chegaram até nós não representavam mais do que uma corrupção da beleza primitiva, corrupção esta que obedecia caprichosa fantasia das imaginações puramente locais, ciosas de oferecer novas sensações às massas populares- indo copiar, para isso onde podiam, embora cometem-se assim e inconscientemente, autenticas heresias com práticas completamente opostas ao sagrado principio que se devia observar.  Mesmo assim chegaram até nós alguns dos referidos Bailes como: O Baile dos Turcos ou Dança Mourisca; O Baile dos Ferreiros ou Dança das Espadas; O Baile dos Alfaiates; O Baile dos Sapateiros; O Baile ou Dança dos Pretos; O Baile das Regateiras ou Floreiras; O Baile dos Pausinhos; O Baile dos Pedreiros e o Baile dos Velhos.
 

Texto de Joaquim José Mendes in "Dias Festivos- O Corpo de Deus em Penafiel" cadernos do Museu

Nota informativa: Actualmente nas Festas realizam-se os Seguintes Bailes: Ferreiros, Floreiras, Pausinhos, Turcos, Pedreiros e Pretos.

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